Em nome de quem?

Algumas vezes é difícil admitir, até para nós mesmos, o motivo pelo qual temos determinadas reações, principalmente as ruins. Alguns, usam o nome de Deus para justificar violência e submissão, outros que foram forçados a tais atos e há ainda os que alegam estar ajudando o próximo.

Na verdade, é em nome de nós mesmos que cometemos as maiores atrocidades; em nome do nosso ego, do poder e das vaidades.  Olhando dessa forma fica feio, ninguém diz que mata ou humilha alguém por ódio ou por inveja. Olha, sinceramente isso tudo já ficou tão clichê a meu ver que é surreal imaginar que pessoas ainda se submetem a esse tipo de retórica.

Papo estranho né? Muito longe da realidade. Quantos de nós não vimos gerentes, diretores e CEO´s humilhando e destruindo ideias, criatividade e comprometimento de seus colaboradores por não ter atingido uma meta? É uma espécie de reação em cadeia, uma transferência de responsabilidades porque, eles também terão que responder pelo resultado e se justificar à alguém, sendo assim é mais conveniente colocar a culpa em seus colaboradores à admitir que se houve falha, ela é de todos.

Veja, para que uma meta seja cumprida é preciso que várias pessoas trabalhem em prol do mesmo objetivo e que todas, principalmente os líderes, estejam comprometidos. Se algo deu errado ao longo de todo o processo, alguém cometeu um deslize, mas se a equipe tem um bom líder, que acompanha e proporciona condições e ambiente saudável, ele ou alguma outra pessoa da equipe poderia ter previsto ou verificado antes de que acontecesse. É claro que,  erros acontecem e é preciso que eles aconteçam, mas a culpa nunca é de apenas uma pessoa.

O maior problema é que estamos tão condicionados a ser bem sucedido que esquecemos que isso não é possível sozinho. Mais do que isso, a maior parte dos líderes ainda se veem como chefes, aquela pessoa que vai mandar e os outros obedecerem e aí de quem não o fizer. Há também aqueles que dizem ser diferentes, mas que não aceitam nenhuma ideia ou critica, a menos que tenha vindo dele mesmo.

Para esses líderes o mais importante não são as pessoas ou a meta, mas sim o poder que exerce sobre os outros. Eles estão em uma posição de poder em relação aos demais e  acreditam que todos devem  se submeter a eles, tipica síndrome do pequeno poder.

Síndrome do pequeno poder: A Síndrome do pequeno poder, ou “Síndrome de porteiro” segundo a psicologia, é uma atitude de autoritarismo por parte de um indivíduo que, ao receber um poder, usa de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas periféricos que possa vir a ocasionar. <<https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_do_pequeno_poder>&gt;

Isso acontece em todos os tipos de relações, sejam eles conjugais, de amizade, trabalho etc; é um problema social, é uma espécie de defeito de fábrica. Podemos ver isso com bastante clareza se observarmos duas crianças brincando, normalmente há vários brinquedos mas normalmente elas querem justamente o que o outro esta utilizando. Talvez porque, ainda  não conseguem se colocar no lugar do outro e querem tudo para si; estão testando os limites de todos e para saber o quanto sua vontade prevalece em relação ao outro.

No entanto, nós crescemos e amadurecemos e muitos de nós ainda continua com o mesmo comportamento infantil, tentando fazer prevalecer sua própria vontade em detrimento dos demais. A boa notícia é que podemos aprender a controlar esse comportamento, mas é preciso dedicação e força de vontade, porque é bem mais cômodo continuar como está.

É preciso lembrar também que, mesmo se policiando, ainda teremos recaídas, mas seremos capazes de perceber e corrigir e cada dia vai ficando mais fácil até chegar um ponto em que é possível prever que determinada situação poderá ser o gatilho para esse comportamento.

Outro dia, vi um pai, humilhando o filho num parquinho porque, o menino não queria brincar da forma que ele gostaria. A todo momento ele dizia que o menino fazia tudo errado. Eu fiquei olhando o menino e imaginando o que se passava na mente dele, ou ainda que tipo de consequências isso teria no futuro, isso porque esse pai deve dizer coisas piores quando estão em casa. Talvez, esse menino faça o mesmo quando encontrar alguém em que possa exercer um posição de poder.

Nós deveríamos aprender com esse tipo de sofrimento e não passa-lo adiante. É preciso quebrar esse ciclo. Mas, aprendemos que humilhar e fazer o outro se sentir pequeno é o que nos faz forte e demonstra poder e respeito, quando na verdade isso só demonstra o quão fraco e pequeno são os valores dessa pessoa.

E você em nome de que ou de quem, culpa ou responsabiliza os outros pelos seus erros e frustrações?

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