Permita-se

Uma das coisas mais legais de envelhecer é que vamos aprendendo a valorizar o que importa e simplesmente ignorar o que não vale a pena; é o ego fica no lugar em que precisa estar.

Outro dia, vi a declaração de uma atriz famosa em que ela dizia que não há nada mais pavoroso do que envelhecer. Eu discordo. Acho muito bacana me olhar no espelho e ver as marcas do tempo vivido, de perceber que minhas ideias e opiniões vão se tornando mais sensatas e principalmente aprender a escolher minhas batalhas.

Beleza, para mim, é algo muito relativo e vai muito além da aparência ou forma física; é gostoso se cuidar, mas tudo na medida certa.

Eu tenho uma lista de coisas que desejo fazer, algumas eu já poderia ter feito, mas posterguei por vergonha ou por ficar imaginando o que diriam de mim. Está aí, outro grande aprendizado do tempo, a opinião dos outros tem um peso tão pequeno. Olha, isso é realmente libertador.

Sempre quis aprender a fazer coisas diferentes, só por fazer, sem um objetivo específico, sabe? Pra me divertir, tornar as coisas mais leves, mas isso sempre me parecia perda de tempo, pois eu poderia estar utilizando meu tempo para coisas mais úteis, trabalhar mais, fazer uma especialização relacionada ao meu trabalho, enfim eu encontrava um monte de motivos.

No fim, meu tempo livre era basicamente gasto na TV ou dormindo (li alguns livros, mas nada muito significativo). Resultado eu sempre estava cansada; meus afazeres me engoliam totalmente, me sentia sufocada, mas ao mesmo tempo não conseguia perceber que, perda de tempo é não fazer o que gosta. Depois que meu filho nasceu, a desculpa passou a ser que não tenho tempo, porque preciso cuidar dele.

Nós aprendemos que ócio ou diversão são coisas que não tem um resultado, e buscamos sempre resultados.

Quando criança, nós brincávamos o tempo todo, não era preciso um brinquedo para haver diversão, uma caixa vazia se transformava no que quiséssemos. E aprendemos muito brincando. Porque isso não pode continuar na vida adulta?

Não se iluda, com isso não quero dizer que vamos brincar durante o expediente ou que deixaremos nossas obrigações de lado. A vida adulta exige coisas que quando crianças nem passava pela nossa mente.

O que quero dizer é que é preciso se divertir nos tempos livres, brincar, perder a noção do tempo sabe?

Achei meio utópico isso, então fui pesquisar a respeito e encontrei um livro chamado “Play – How it shape our brain, opens the imagination and invigorates the soul”, Stuart Brown. Nesse livro, o autor conta sobre os anos de pesquisa sobre porque brincamos, porque é algo instintivo quando somos crianças e qual a semelhança com outros animais.

Em certo ponto do livro, o autor começa a relacionar o ato de brincar (ou não) com o rendimento e satisfação no trabalho. Sempre achei que não podemos separar vida pessoal e trabalho, não no sentido de que uma não interfira na outra diretamente. Eu explico. Conseguimos traçar algumas linhas bases, as quais permite que um não invada ou tome completamente conta do outro.

No entanto, quando não estamos bem ou satisfeito em um desses ambientes ou outro sentirá o reflexo diretamente. Acredito que, colocando mais diversão e leveza no âmbito pessoal, o lado profissional se beneficia de maneira direta, no sentido da dedicação, foco e criatividade.

Nosso tempo é limitado, precisamos aprender a aprecia-lo da melhor forma que pudermos. Por exemplo, eu queria praticar atividade física, e a única coisa que me vinha na cabeça era entrar em uma academia. Perdi a conta de quantas vezes me matriculei, paguei alguns meses, mas raramente frequentei. O ambiente não me agradava sabe? E ainda assim, insistia em estar ali.

Isso acontecia em outras esferas da minha vida, inclusive o trabalho. Nem sempre podemos escolher o que vamos fazer no trabalho, mas podemos escolher a forma como faremos. E curiosamente, só aprendi isso ao me permitir me divertir e entender o quanto isso é importante.

Somos nós que permitimos ou não, que nosso dia e nossas atividades diárias sejam maçantes ou não. Não podemos deixar que a rotina nos domine, nós é quem devemos tomar o controle e domina-la.

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